EXORTAÇÃO APOSTÓLICA
"SERVI, NON DOMINI"
DE SUA SANTIDADE O
PAPA JOÃO PAULO II
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IOANNES PAVLVS, EPISCOPVS
SERVVS SERVORVM DEI
AD PERPETVAM REI MEMORIAM
Aos estimados irmãos bispos, presbíteros, diáconos e leigos, e a todos os que lerem estas letras, saudação e benção apostólica.
[PT]
1. “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos” (Mc 9,35). Estas palavras do Senhor devem ressoar constantemente em nosso coração sacerdotal. O sacerdócio não é um privilégio, mas um dom gratuito que exige serviço, humildade e entrega. Quando o coração se deixa dominar pela busca de poder, cargos ou reconhecimento, o ministério perde sua força evangélica e se torna apenas uma função humana, desvinculada da cruz de Cristo.
2. A tentação da soberba e dos cargos. A Igreja, desde os primeiros séculos, reconhece que a soberba espiritual é uma das tentações mais sutis para os ministros do altar. O desejo de ser visto, de ocupar lugares de prestígio ou de exercer autoridade, muitas vezes, esconde uma ferida de vaidade que impede a graça de florescer. O Concílio Vaticano II, em Presbyterorum Ordinis, recorda que o sacerdote deve buscar não os próprios interesses, mas os de Cristo e de seu rebanho (cf. PO, 15). Ser sacerdote não é subir degraus de poder, mas descer com o Senhor para lavar os pés dos irmãos (cf. Jo 13,14).
3. O verdadeiro sentido do sacerdócio. O sacerdote é um homem tomado por Deus para servir. Sua vida deve ser configurada a Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, que se ofereceu como vítima pelo mundo. Pastores Dabo Vobis (n. 21) afirma que o sacerdote é chamado a “prolongar a presença de Cristo Pastor e Cabeça” entre os fiéis. Isso não se faz com títulos, mas com o coração disponível, a escuta atenta, o altar celebrado com piedade e o serviço silencioso.
4. A missão do Evangelho. Quando um sacerdote se preocupa mais em ser reconhecido do que em evangelizar, perde o sentido de sua missão. O Papa Francisco, em Evangelii Gaudium (n. 49), nos adverte: “Mais do que uma Igreja que vive para si mesma, precisamos de uma Igreja em saída.” Assim também os sacerdotes: somos chamados a ser pastores que caminham à frente, ao lado e atrás do povo, cuidando para que ninguém se perca. Nossa autoridade só tem sentido quando é exercida como serviço à Palavra e à caridade.
5. A falta de celebrar e a crise do zelo. Em muitos lugares, nota-se um triste afastamento de alguns sacerdotes da Eucaristia e dos sacramentos. A falta de zelo pela celebração é sintoma de um coração distante de Deus. A Missa diária é o centro da vida sacerdotal, como ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1566): “A Eucaristia é o centro e a raiz de toda a vida do presbítero.” Quando um padre deixa de celebrar com fé, enfraquece sua comunhão com Cristo e com o rebanho que lhe foi confiado.
6. A unidade com o Bispo e o Sumo Pontífice. A comunhão eclesial é sinal de fidelidade a Cristo. O sacerdote nunca age em nome próprio, mas em nome da Igreja. Presbyterorum Ordinis (n. 7) ensina que os presbíteros devem estar unidos ao seu Bispo “num vínculo de caridade e obediência”, colaborando fielmente em sua missão pastoral. Essa unidade se estende também ao Sucessor de Pedro, que preside na caridade toda a Igreja. Desobedecer, murmurar ou dividir é ferir o Corpo de Cristo. O verdadeiro pastor constrói comunhão, não facções.
7. Chamados à humildade. A humildade é a marca do verdadeiro sacerdote. Não se trata de falsa modéstia, mas de reconhecer que tudo vem de Deus e tudo deve voltar a Ele. O Papa Bento XVI dizia: “O sacerdote deve ser um homem de Deus e não de si mesmo.” Somente quem se deixa moldar pela cruz entende que o maior poder do sacerdote é o poder de servir, de reconciliar, de consolar e de oferecer a própria vida.
Queridos irmãos, o mundo precisa de sacerdotes santos, não de administradores ou chefes. O povo de Deus espera de nós não discursos sobre poder, mas testemunhos de amor e entrega. Que cada um de nós possa rezar como São Francisco: “Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.” Que Maria, Mãe dos Sacerdotes, nos ensine a dizer com sinceridade: “Eis aqui o servo do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.”
[ES]
1. “Quien quiera ser el primero, que sea el servidor de todos” (Mc 9,35). Estas palabras del Señor deben resonar constantemente en nuestro corazón sacerdotal. El sacerdocio no es un privilegio, sino un don gratuito que exige servicio, humildad y entrega. Cuando el corazón se deja dominar por la búsqueda de poder, cargos o reconocimiento, el ministerio pierde su fuerza evangélica y se convierte solo en una función humana, desvinculada de la cruz de Cristo.
2. La tentación del orgullo y de los cargos. La Iglesia, desde los primeros siglos, reconoce que el orgullo espiritual es una de las tentaciones más sutiles para los ministros del altar. El deseo de ser visto, de ocupar lugares de prestigio o de ejercer autoridad muchas veces esconde una herida de vanidad que impide que la gracia florezca. El Concilio Vaticano II, en Presbyterorum Ordinis, recuerda que el sacerdote debe buscar no sus propios intereses, sino los de Cristo y los de su rebaño (cf. PO, 15). Ser sacerdote no es subir peldaños de poder, sino descender con el Señor para lavar los pies de los hermanos (cf. Jn 13,14).
3. El verdadero sentido del sacerdocio. El sacerdote es un hombre tomado por Dios para servir. Su vida debe configurarse a Cristo, Sumo y Eterno Sacerdote, que se ofreció como víctima por el mundo. Pastores Dabo Vobis (n. 21) afirma que el sacerdote está llamado a “prolongar la presencia de Cristo Pastor y Cabeza” entre los fieles. Esto no se logra con títulos, sino con un corazón disponible, una escucha atenta, un altar celebrado con piedad y un servicio silencioso.
4. La misión del Evangelio. Cuando un sacerdote se preocupa más por ser reconocido que por evangelizar, pierde el sentido de su misión. El Papa Francisco, en Evangelii Gaudium (n. 49), nos advierte: “Más que una Iglesia que vive para sí misma, necesitamos una Iglesia en salida.” Así también los sacerdotes: estamos llamados a ser pastores que caminan delante, al lado y detrás del pueblo, cuidando de que nadie se pierda. Nuestra autoridad solo tiene sentido cuando se ejerce como servicio a la Palabra y a la caridad.
5. La falta de celebrar y la crisis del celo. En muchos lugares se nota un triste alejamiento de algunos sacerdotes de la Eucaristía y de los sacramentos. La falta de celo por la celebración es síntoma de un corazón distante de Dios. La Misa diaria es el centro de la vida sacerdotal, como enseña el Catecismo de la Iglesia Católica (n. 1566): “La Eucaristía es el centro y la raíz de toda la vida del presbítero.” Cuando un sacerdote deja de celebrar con fe, debilita su comunión con Cristo y con el rebaño que le ha sido confiado.
6. La unidad con el Obispo y el Sumo Pontífice. La comunión eclesial es signo de fidelidad a Cristo. El sacerdote nunca actúa en nombre propio, sino en nombre de la Iglesia. Presbyterorum Ordinis (n. 7) enseña que los presbíteros deben estar unidos a su Obispo “en un vínculo de caridad y obediencia”, colaborando fielmente en su misión pastoral. Esta unidad se extiende también al Sucesor de Pedro, que preside en la caridad a toda la Iglesia. Desobedecer, murmurar o dividir es herir el Cuerpo de Cristo. El verdadero pastor construye comunión, no facciones.
7. Llamados a la humildad. La humildad es la marca del verdadero sacerdote. No se trata de una falsa modestia, sino de reconocer que todo viene de Dios y todo debe volver a Él. El Papa Benedicto XVI decía: “El sacerdote debe ser un hombre de Dios y no de sí mismo.” Solo quien se deja moldear por la cruz entiende que el mayor poder del sacerdote es el poder de servir, de reconciliar, de consolar y de ofrecer su propia vida.
Queridos hermanos, el mundo necesita sacerdotes santos, no administradores ni jefes. El Pueblo de Dios espera de nosotros no discursos sobre poder, sino testimonios de amor y entrega. Que cada uno de nosotros pueda orar como San Francisco: “Señor, hazme un instrumento de tu paz.” Que María, Madre de los Sacerdotes, nos enseñe a decir con sinceridad: “He aquí la sierva del Señor, hágase en mí según tu palabra.”
✠ Ioannes Paulus Pp. II
Pontifex Maximus
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Referências:
[1] CONCÍLIO VATICANO II. Presbyterorum Ordinis: decreto sobre o ministério e a vida dos presbíteros. In: Documentos do Concílio Vaticano II. 3. ed. São Paulo: Paulus, 2007.[2] JOÃO PAULO II, Papa. Pastores Dabo Vobis: exortação apostólica pós-sinodal sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais. São Paulo: Paulinas, 1992.
[3] FRANCISCO, Papa. Evangelii Gaudium: exortação apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. São Paulo: Paulus, 2013.
[4] JOÃO PAULO II, Papa. Catecismo da Igreja Católica. 2. ed. São Paulo, 2000.

