IOANNES PAVLVS, EPISCOPVSSERVVS SERVORVM DEI
AD PERPETVAM REI MEMORIAM
A todos os filhos e filhas da Santa Igreja, bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos, e a todos que lerem estas letras, saudação e Bênção Apostólica.
Ao iniciar-se novamente o santo tempo da Quaresma, a Igreja, peregrina neste mundo e sustentada pela esperança da Ressurreição, convida seus filhos a empreender o caminho do deserto com o Senhor. Não se trata apenas de recordar um acontecimento passado, mas de participar espiritualmente daquele retiro sagrado no qual Cristo, vencendo as tentações, preparou-Se para a obra redentora.
A Palavra de Deus ressoa com vigor: “Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração” (Jl 2,12). A Quaresma é tempo favorável, kairós de graça, ocasião propícia para que cada fiel examine a própria consciência à luz do Evangelho e renove a adesão sincera Àquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).
O deserto quaresmal não é lugar de solidão estéril, mas espaço de intimidade com Deus. No silêncio, o coração aprende novamente a escutar; no recolhimento, a alma reencontra o essencial; na penitência, redescobre-se a liberdade dos filhos de Deus.
Quantas vozes competem diariamente pela nossa atenção! Quantas distrações obscurecem o primado do Senhor! A Quaresma apresenta-se, portanto, como tempo de purificação interior, para que possamos distinguir o que é passageiro daquilo que é eterno.
“Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). Se o nosso tesouro está disperso nas coisas efêmeras, também o nosso coração se fragmenta. Mas se o nosso tesouro é Cristo, então a unidade interior floresce e a paz se estabelece.
A tradição da Igreja propõe três pilares seguros para este caminho: jejum, oração e esmola. Estas práticas não são simples exercícios exteriores, mas expressões concretas de uma fé que deseja tornar-se operante pelo amor (cf. Gl 5,6).
O jejum educa o desejo, recordando-nos que “nem só de pão vive o homem” (Mt 4,4). Ao privar-nos voluntariamente de algo legítimo, aprendemos a dominar os impulsos desordenados e a colocar Deus no centro.
A oração eleva o coração Àquele que é a fonte de toda consolação. Sem oração, a Quaresma reduz-se a esforço humano; com a oração, torna-se obra da graça.
A esmola, por sua vez, abre-nos à dimensão social da caridade. Não podemos aproximar-nos do mistério da Cruz permanecendo indiferentes às necessidades dos irmãos. “Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes” (Mt 25,40).
profeta exorta: “Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes” (Jl 2,13). A conversão autêntica não é aparência, mas transformação profunda.
Muitas vezes o pecado manifesta-se não apenas em atos graves, mas em atitudes cotidianas: a indiferença, a dureza de coração, o orgulho silencioso, a falta de perdão. Tais disposições obscurecem a caridade e enfraquecem o testemunho cristão.
É urgente redescobrir o valor do sacramento da Penitência, onde o Pai misericordioso acolhe o filho arrependido e o reveste novamente com a dignidade perdida (cf. Lc 15,22).
Confiamos este percurso espiritual à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, que, fiel até a Cruz, tornou-se Mãe da esperança. Ela nos ensine a guardar a Palavra no coração e a permanecer firmes mesmo nas provações.
Que São José, homem justo e silencioso, nos acompanhe com sua intercessão discreta, para que aprendamos a obedecer com prontidão aos desígnios divinos.
Com estes votos, exorto todos os fiéis a viverem intensamente este tempo santo, permitindo que o Espírito Santo renove os corações e fortaleça a comunhão eclesial.
Confiamos este percurso espiritual à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, que, fiel até a Cruz, tornou-se Mãe da esperança. Ela nos ensine a guardar a Palavra no coração e a permanecer firmes mesmo nas provações.
Que São José, homem justo e silencioso, nos acompanhe com sua intercessão discreta, para que aprendamos a obedecer com prontidão aos desígnios divinos.
Com estes votos, exorto todos os fiéis a viverem intensamente este tempo santo, permitindo que o Espírito Santo renove os corações e fortaleça a comunhão eclesial.
[ES]
Al iniciarse nuevamente el santo tiempo de la Cuaresma, la Iglesia, peregrina en este mundo y sostenida por la esperanza de la Resurrección, invita a sus hijos a emprender el camino del desierto con el Señor. No se trata solamente de recordar un acontecimiento del pasado, sino de participar espiritualmente en aquel retiro sagrado en el que Cristo, venciendo las tentaciones, se preparó para la obra redentora.
La Palabra de Dios resuena con fuerza: «Conviértanse a Mí de todo corazón» (Jl 2,12). La Cuaresma es tiempo favorable, kairós de gracia, ocasión propicia para que cada fiel examine su conciencia a la luz del Evangelio y renueve su adhesión sincera a Aquel que es «el Camino, la Verdad y la Vida» (Jn 14,6).
El desierto cuaresmal no es un lugar de soledad estéril, sino un espacio de intimidad con Dios. En el silencio, el corazón aprende nuevamente a escuchar; en el recogimiento, el alma redescubre lo esencial; en la penitencia, se redescubre la libertad de los hijos de Dios.
¡Cuántas voces compiten diariamente por nuestra atención! ¡Cuántas distracciones oscurecen el primado del Señor! La Cuaresma se presenta, por tanto, como un tiempo de purificación interior, para que podamos distinguir lo pasajero de lo eterno.
«Donde está tu tesoro, allí estará también tu corazón» (Mt 6,21). Si nuestro tesoro está disperso en cosas efímeras, también nuestro corazón se fragmenta. Pero si nuestro tesoro es Cristo, entonces florece la unidad interior y se establece la paz.
La tradición de la Iglesia propone tres pilares seguros para este camino: ayuno, oración y limosna. Estas prácticas no son simples ejercicios exteriores, sino expresiones concretas de una fe que desea hacerse operante por la caridad (cf. Gal 5,6).
El ayuno educa el deseo, recordándonos que «no sólo de pan vive el hombre» (Mt 4,4). Al privarnos voluntariamente de algo legítimo, aprendemos a dominar los impulsos desordenados y a colocar a Dios en el centro.
La oración eleva el corazón hacia Aquel que es la fuente de toda consolación. Sin oración, la Cuaresma se reduce a un esfuerzo humano; con la oración, se convierte en obra de la gracia.
La limosna, por su parte, nos abre a la dimensión social de la caridad. No podemos acercarnos al misterio de la Cruz permaneciendo indiferentes ante las necesidades de los hermanos. «Todo lo que hicieron a uno de estos mis hermanos más pequeños, a Mí me lo hicieron» (Mt 25,40).
El profeta exhorta: «Rasguen su corazón y no sus vestidos» (Jl 2,13). La conversión auténtica no es apariencia, sino transformación profunda.
Muchas veces el pecado se manifiesta no sólo en actos graves, sino en actitudes cotidianas: la indiferencia, la dureza de corazón, el orgullo silencioso, la falta de perdón. Tales disposiciones oscurecen la caridad y debilitan el testimonio cristiano.
Es urgente redescubrir el valor del sacramento de la Penitencia, donde el Padre misericordioso acoge al hijo arrepentido y lo reviste nuevamente con la dignidad perdida (cf. Lc 15,22).
Confiamos este camino espiritual a la intercesión de la Bienaventurada Virgen María, que, fiel hasta la Cruz, se convirtió en Madre de la esperanza. Que ella nos enseñe a guardar la Palabra en el corazón y a permanecer firmes incluso en las pruebas.
Que San José, hombre justo y silencioso, nos acompañe con su discreta intercesión, para que aprendamos a obedecer con prontitud los designios divinos.
Con estos deseos, exhorto a todos los fieles a vivir intensamente este tiempo santo, permitiendo que el Espíritu Santo renueve los corazones y fortalezca la comunión eclesial.
todos concedo de corazón mi Bendición Apostólica.
Roma, no Palácio Apostólico, a 18 de fevereiro de 2026.
