ENCÍCLICA PAPALCHRISTUS UNICUS THESAURUSDE SUA SANTIDADE O PAPA JOÃO PAULO II SOBRE O VERDADEIRO SENTIDO DO MINISTÉRIO, DOS TÍTULOS E DO SERVIÇO NA IGREJA
IOANNES PAVLVS, EPISCOPVSAD PERPETVAM REI MEMORIAM
Aos Bispos, Presbíteros, Diáconos, Pessoas Consagradas e a todo o Povo de Deus: graça, misericórdia e paz em Jesus Cristo, Senhor e Servo.
1. O coração do homem foi criado para Deus e não encontra repouso senão n’Ele (cf. Sl 62,2). Quando esta verdade fundamental é esquecida, até mesmo as realidades mais sagradas podem ser desfiguradas, transformando-se de instrumentos de serviço em meios de afirmação pessoal.
2. O Senhor adverte: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). Esta palavra ilumina também a vida da Igreja, chamada a vigiar para que o ministério não se torne busca de prestígio, mas expressão de amor oblativo. Por isso, esta Encíclica deseja recordar que Cristo é o único tesouro (cf. Fl 3,8).
A TENTAÇÃO DO ORGULHO ESPIRITUAL
3. A soberba espiritual é uma tentação antiga, já presente entre os próprios discípulos, quando discutiam sobre quem era o maior (cf. Mc 9,33-34). Jesus respondeu colocando uma criança no meio e declarando: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele” (Mc 10,15).
4. Quando o ministério é vivido como posse, realiza-se aquilo que o profeta denunciava: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Is 29,13; cf. Mt 15,8).
5. O Evangelho é claro ao distinguir o pastor do mercenário: “O mercenário foge, porque não se importa com as ovelhas” (Jo 10,13). Toda forma de carreira eclesiástica que nasce do orgulho afasta o coração da lógica do Bom Pastor, que “veio para servir e dar a vida” (Mt 20,28).
O TÍTULO NÃO DEFINE O DISCÍPULO
6. A identidade cristã não nasce do título, mas do Batismo: “Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). O ministério não cria uma dignidade paralela, mas aprofunda a configuração a Cristo Servo.
7. O Apóstolo recorda: “Que tens tu que não tenhas recebido?” (1Cor 4,7). Esta pergunta protege o coração contra a ilusão da autossuficiência e recorda que tudo é graça.
8. A verdadeira maturidade espiritual manifesta-se quando o discípulo pode dizer com São Paulo: “Aprendi a viver na pobreza e na abundância” (Fl 4,12), permanecendo firme na alegria que nasce unicamente do Senhor (cf. Fl 4,4).
A DIGNIDADE DO ALTAR E O SANTO TEMOR
9. Há um temor que é santo: aquele que nasce da consciência da própria pequenez diante do Mistério. Assim exclamava o salmista: “Quem poderá subir à montanha do Senhor? O que tem mãos inocentes e coração puro” (Sl 24,3-4).
10. Tocar o altar, proclamar a Palavra e segurar o Corpo do Senhor não são direitos, mas dons imerecidos (cf. 1Cor 4,1). O ministro é apenas administrador dos mistérios de Deus, chamado à fidelidade e à humildade.
11. As vestes sagradas não são sinais de exaltação, mas de serviço. Como recorda o Apóstolo: “Trazemos este tesouro em vasos de barro” (2Cor 4,7), para que fique claro que o poder vem de Deus e não de nós.
SEM CRISTO, TUDO É VAZIO
12. “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Esta palavra do Senhor é o critério supremo de todo ministério. Onde Cristo é relegado à margem, tudo se torna aparência e vaidade (cf. Ecl 1,2).
13. A eloquência sem amor nada vale: “Ainda que eu falasse a língua dos anjos, se não tiver caridade, nada sou” (1Cor 13,1-2). O ministério só é fecundo quando nasce da caridade pastoral.
14. A Igreja não precisa de funcionários do sagrado, mas de testemunhas que possam dizer com verdade: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
A FIDELIDADE PROVADA NA CRUZ
15. Todo ministério passa pela cruz, pois “quem quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Lc 9,23). Não há discipulado autêntico sem participação no sofrimento redentor de Cristo.
16. Nas horas de cansaço e provação, ressoa a palavra do Senhor: “Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Esta certeza sustenta a perseverança quando as forças humanas parecem insuficientes.
17. Evangelizar até os confins do mundo (cf. Mt 28,19) começa na fidelidade cotidiana, no dom silencioso de si, vivido com amor e perseverança (cf. Lc 16,10).
18. O Senhor pergunta hoje a cada ministro e a cada cristão: “Tu Me amas?” (Jo 21,17). Esta é a única pergunta decisiva.
19. Se Cristo não é o centro, o ministério se esvazia; se Cristo reina, até o último lugar torna-se fecundo (cf. Mt 23,11-12).
20. Confiamos esta reflexão à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, humilde Serva do Senhor (cf. Lc 1,38), para que a Igreja seja sempre fiel Àquele que “nos amou até o fim” (Jo 13,1).
[ES]
PROEMIO
1. El corazón del hombre ha sido creado para Dios y no encuentra descanso sino en Él (cf. Sal 62,2). Cuando esta verdad fundamental es olvidada, incluso las realidades más sagradas pueden ser desfiguradas, transformándose de instrumentos de servicio en medios de afirmación personal.
2. El Señor advierte: «Donde está tu tesoro, allí estará también tu corazón» (Mt 6,21). Esta palabra ilumina también la vida de la Iglesia, llamada a vigilar para que el ministerio no se convierta en búsqueda de prestigio, sino en expresión de amor oblativo. Por ello, esta Encíclica desea recordar que Cristo es el único tesoro (cf. Flp 3,8).
LA TENTACIÓN DEL ORGULLO ESPIRITUAL
3. La soberbia espiritual es una tentación antigua, ya presente entre los mismos discípulos, cuando discutían quién era el mayor (cf. Mc 9,33-34). Jesús respondió colocando a un niño en medio y declarando: «El que no reciba el Reino de Dios como un niño, no entrará en él» (Mc 10,15).
4. Cuando el ministerio se vive como posesión, se cumple aquello que denunciaba el profeta: «Este pueblo me honra con los labios, pero su corazón está lejos de mí» (Is 29,13; cf. Mt 15,8).
5. El Evangelio distingue claramente al pastor del mercenario: «El asalariado huye, porque no le importan las ovejas» (Jn 10,13). Toda forma de carrera eclesiástica nacida del orgullo aleja el corazón de la lógica del Buen Pastor, que «no vino a ser servido, sino a servir y a dar su vida» (Mt 20,28).
EL TÍTULO NO DEFINE AL DISCÍPULO
6. La identidad cristiana no nace del título, sino del Bautismo: «Todos ustedes son uno en Cristo Jesús» (Gál 3,28). El ministerio no crea una dignidad paralela, sino que profundiza la configuración con Cristo Siervo.
7. El Apóstol recuerda: «¿Qué tienes que no hayas recibido?» (1 Cor 4,7). Esta pregunta protege el corazón contra la ilusión de la autosuficiencia y recuerda que todo es gracia.
8. La verdadera madurez espiritual se manifiesta cuando el discípulo puede decir con san Pablo: «He aprendido a vivir en la pobreza y en la abundancia» (Flp 4,12), permaneciendo firme en la alegría que nace únicamente del Señor (cf. Flp 4,4).
LA DIGNIDAD DEL ALTAR Y EL SANTO TEMOR
9. Existe un temor que es santo: el que nace de la conciencia de la propia pequeñez ante el Misterio. Así exclamaba el salmista: «¿Quién podrá subir al monte del Señor? El de manos inocentes y corazón puro» (Sal 24,3-4).
10. Tocar el altar, proclamar la Palabra y sostener el Cuerpo del Señor no son derechos, sino dones inmerecidos (cf. 1 Cor 4,1). El ministro es solo administrador de los misterios de Dios, llamado a la fidelidad y a la humildad.
11. Las vestiduras sagradas no son signos de exaltación, sino de servicio. Como recuerda el Apóstol: «Llevamos este tesoro en vasijas de barro» (2 Cor 4,7), para que quede claro que el poder viene de Dios y no de nosotros.
SIN CRISTO, TODO ES VACÍO
12. «Sin mí no pueden hacer nada» (Jn 15,5). Esta palabra del Señor es el criterio supremo de todo ministerio. Donde Cristo es relegado al margen, todo se convierte en apariencia y vanidad (cf. Ecl 1,2).
13. La elocuencia sin amor no vale nada: «Aunque hablara las lenguas de los ángeles, si no tengo caridad, nada soy» (1 Cor 13,1-2). El ministerio solo es fecundo cuando nace de la caridad pastoral.
14. La Iglesia no necesita funcionarios de lo sagrado, sino testigos que puedan decir con verdad: «Ya no vivo yo, sino que Cristo vive en mí» (Gál 2,20).
LA FIDELIDAD PROBADA EN LA CRUZ
15. Todo ministerio pasa por la cruz, pues «el que quiera seguirme, que renuncie a sí mismo, tome su cruz cada día y me siga» (Lc 9,23). No existe discipulado auténtico sin participación en el sufrimiento redentor de Cristo.
16. En las horas de cansancio y prueba resuena la palabra del Señor: «No son ustedes los que me eligieron; soy yo quien los elegí» (Jn 15,16). Esta certeza sostiene la perseverancia cuando las fuerzas humanas parecen insuficientes.
17. Evangelizar hasta los confines del mundo (cf. Mt 28,19) comienza en la fidelidad cotidiana, en el don silencioso de sí mismo, vivido con amor y perseverancia (cf. Lc 16,10).
18. El Señor pregunta hoy a cada ministro y a cada cristiano: «¿Me amas?» (Jn 21,17). Esta es la única pregunta decisiva.
19. Si Cristo no es el centro, el ministerio se vacía; si Cristo reina, incluso el último lugar se vuelve fecundo (cf. Mt 23,11-12).
20. Confiamos esta reflexión a la intercesión de la Bienaventurada Virgen María, humilde Sierva del Señor (cf. Lc 1,38), para que la Iglesia sea siempre fiel a Aquel que «nos amó hasta el extremo» (Jn 13,1).